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Garimpo 1: Jesus histórico
Publicado em: 18 de agosto de 2006, 15:23:17  -  Lido 3203 vez(es)





Jesus histórico (Era: peixes/algas etc.)

por Lazaro Freire

Publicado originalmente na lista Voadores em 29/09/2004 mensagem:45036


(...)

Mas em geral, o que escrevem sobre Jesus Histório (e sobre o vilão da história,
Paulo de Tarso) como fontes supostamente "mediúnica" são animismo do
grosso, movido pela propria crença do médium - e as vezes até do
espírito - estes sim de origem paulina cristã. Infelizmente, não bate
com o que se sabe historicamente. Mas pensando melhor, FELIZMENTE,
porque o importante do Jesus que CREMOS, e do CRISTO que vivenciamos,
não é o personagem histórico, e sim a mensagem. Então é até bem feito
quando a gente vê o EGO de um grande médium abandonando sua função de
passar psicografias evolutivas e se propondo a fazer para-história.

Fico me perguntando se foi MESMO uma comunicação dos "grandes
espíritos" tentando esclarecer a curiosidade humana dos fatos e dando
uma forçadinha de barra para impor sua religião; ou a mais provável
grande curiosidade humana do médium tentando cooptar o endosso dos
tais grandes espíritos para na verdade impor iamgens do inconsciente
coletivo que o tal médium (ou seua religião) acredita como se fossem
história - pra impor sua crença sem precisar de uma maior discussão.

Humano, demasiadamente humano. O que não é o mesmo que mediúnico.

Não li esse. A postura mais acertada de todos os sensitivos que já vi
é, sem dúvida, a do Wagner, que não se pega no detalhe da história,
deixando-a para o historiador. Ele pega a essencia do mito Jesus, da
egrégora, da força. E dane-se se este Cristo, ou o Hanuman, ou
Ganesha com cabeça de elefante, ou Buda, ou o arquétipo que for,
realmente "existiu" daquela forma. Ele pega a sintonia espiritual do
que ele fez ,e do que todos fizeram e fazem em nome deste estado
Crístico. Cristo pra ele não é um monte de células que passaram na
terra há 2000 anos, nem uma prova viva de Deus que minha religião é
que é certa e as outras todas erradas (como se Deus endossasse a
gente mostrar a lingua para os outros credos, apos provarmos que o
deus certo era o nosso - nao parece coisa de crianca pirraçando o
coleguinha depois que a mãe lhe dá razão?). O Wagner vai na COLUNA DE
LUZ que este estado cristico representa. EM tudo de BOM que o nome
Jesus fez, faz ou fará na Terra, no astral e nas consciências. E
deixa a ufologia disso para os ufólogos, a teologia para os teólogos,
a história para os historiadores, sem tetnar invadir ou impor. Ele,
espiritualista e discernidor, pega a ESPIRITUALIDADE e SABEDORIA do
que se faz em torno deste nome. É o que precisa ser.

Mas se o Wagner faz o apropriado, outros colegas que tem fontes
quentes de ET´s ou grandes espíritos sobre a "verdade histórica" de
Jesus, e até mesmo grandes médius espíritas, não fazem o mesmo. O que
tenho visto de "psicografia", "canalização", "mediunidade", "viagem
no tempo", "revelações de ET" e outras "fontes quentes do lado de lá"
sobre Jesus HISTÓRICO não costumam bater.

Eu acho uma grande PENA alguns médiuns (inclusive grandes) terem esta
necessidade de tentar entrar no lado histórico, ANIMICAMENTE, para
suprir uma necessidade pessoal SUA de "revelar" os "fatos" da vida de
seu mestre - o que me parece desnecessário NESTE contexto, uma vez
que a função da canalização ESPIRITUAL deveria ser a de levar
ESPIRITUALIDADE para as pessoas - e nao o de tentar suprir vazios que
o próprio médium, ou sua religião, tem sobre uma suposta "verdade"
dos fatos.

O que fez minha mãe acreditar em Jesus - ainda que um Jesus "falso"
entre aspas - foi o EXEMPLO deste ícone. O amor. A atmosfera
espiritual em torno do nome, que ela pode encontrar em uma igrejinha
de Piracurupa, PI, onde nasceu; ou na do bairro de periferia onde ela
mora hoje em BH, ou até mesmo na missa da TV que ela assiste todos os
domingos, pela manhã. Jesus é um símbolo de transformação, para ela.
A chave de conexão a uma "espiritualidade" superior. Talvez ela possa
até vê-lo, e como não dizer que viu? Viu SIM. Entretanto, o mito que
a fez manter esta sintonia, e me dar a educação religiosa mínima para
eu ser quem sou, não tem a MENOR coerência com uma suposta "verdade"
dos fatos que ocorreram em Jerusalem ocupada há 2000 anos atrás, e
foi baseado num evenbgelho distorcido pacas. Sim, mas para o poder de
transformação presente ali, e pro que ela sente de bom... E DAÍ?

O probleminha é que o ego da gente, médium, as vezes quer "saber" e
ser o "esclarecedor" do que "realmente" aconteceu. Bem, se o
interesse é pesquisa história, então proponho que removam todo o
misticismo, e busquem diretamente os fatos, com alto grau de
discernimento. E cuidado com o que vai encontrar: Se você tem FÉ
MESMO, como estado de CONSCIENCIA e não apenas crença cega, esta se
fortalecerá muito. Mas se no fundo esta fé não ela lá tão forte
assim, ela vai sim se estraçalhar com o que encontrarão ali.

Eu não sei porque alguns mediuns até bem famosos, professores e
outros sensitivos tem que se meter a tentar fazer história via
psicografia. Deixe a psicografia para o espiritual, ela é EXCELENTE
para isto, e a história para o discernimento. Geralmente, quando os
romances "mediunicos" adentram as "verdades" da história,
especialmente de Jesus, a intenção é até boa, mas pagam MICOS
GIGANTESCOS, reforçando na verdade fatos evangélicos - alguns já
esclarecidos como simbolicos ou improvaveis, quando não adulterações -
que estão presentes no inconsciente coletivo (talvez daí o
tal "espírito comunicante" tenha pego).

As possibilidades passam a ser inúmeras, a partir daí. Pra começar, o
próprio espírito comunicante pode ser muito cristão, paulino mesmo, e
realmente acreditar no que está contando. E como tudo tem egrégoras,
holopensenes, formas pensamento plasmadas por milênios, em todas as
missas, filmes, leituras de bíblia, inquisição, reforma, concílios,
canones, apócrifos, PODE SER que o tal comunicante realmente "acesse"
aquilo. Ou talvez, bem mais provável, o inconsciente do médium em
questão. Ou, porque não, os dois? O que NÃO SIGNIFICA que aquela
tenha sido a verdade dos fatos do que ocorreu há dois mil anos atrás,
neste tempo-espaço-plano aqui :-)

Existem poucos períodos da história tão bem documentados quanto
aquela Jerusalem e Império Romano de 2000 anos atrás. Aquela cidade,
acreditem ou não, realmente existiu! As pessoas que habitavam ali, o
império bem estruturado e documentado que a ocupava, os governadores
e reis, pasmem, foram personagens de carne e osso, tão humanos quanto
outros reis, governadores e invasores de outros lugares que qualquer
adolescente estuda na escola em detalhes, alguns até de bem mais
tempo atrás.

Mas quando se fala em cristianismo, parece que há um consenso
(estúpido, me desculpem) de que por uns 30 anos, a história geral do
planeta parou, e uma região do globo ficou isenta de qualquer
coerencia documental, linguística, arqueológica, histórica... Parece
que tudo virou uma espécie de "País das Maravilhas", onde virgens
davam a luz (como em todos os mitos de outros povos), peixes (ou
melhor, algas e sucos) se multiplicavam, os censos do povo judeu
podem sair do periodo que realmente ocorreram, as datas do reinado de
Herodes não precisam mais ser coerentes, romanos mandam uma coorte de
seu exército de ocupação de território (leia-se: coorte como 1/10 de
uma legião que tinha uns 6000, ou seja 600 soldados) apenas para
prender um homem após um beijo de traição (sem revolução?), um jovem
adentra o gigantesco templo de salomão em data sagrada derrubando
barracas após breve colóquio teológico sobre a casa de "seu" pai (sem
revolução?), é coroado como rei DENTRO do templo de Salomão que devia
estar ocupadíssimo na páscoa (sem revolução?), pessoas somem e
aparecem, mortos ressucitam, vivos andam pelas águas, sobem aos céus,
o império romano começa a inventar leis de libertação de presos na
páscoa judaica (?), e dar poder ao sinédrio judeu ocupado de
prescrever pena de morte por crucificação...

E aí de repente, puft, jesus se vai, e a história pode ser coerente
de novo. Mas quando Jesus estava aqui, nem os imperadores,
governadores e crucificações romanas precisam bater com nada...

E o pior: Vem gente que não sabe bem o que ocorreu, mas que aprendeu
a versão INVENTADA pelo canone católico em 300DC, readaptada por
Jeronimo e cia, adulterada pelos concilios, forçada na idade das
trevas e na inquisição...

A turma se esquece que quando Lutero "reformou", já achava que aquele
canone e evangelho ali era a única versão, até histórica, dos fatos -
e como tal o tomou... Sem checar discernimento... E a partir dali, ao
reafirmar o que só podia estar na MENTE de Lutero, Calvino e seus
seguidores, eles já o diziam como sendo a palavra suprema de Deus...
E aí, a mentira dos bispos de Roma no começo do canone,a religião
forjada por Constantino e sua igreja unificadora do Império, no
Concílio de Nicéia, foi tomando, até 1000 anos depois, força
consolidadíssima de "verdade absoluta e inquestionável". E sabe lá
como, aquele "evangelho" que em qualquer outra religião do mundo
seria EXCELENTE fonte de valor MORAL, ESPIRITUAL, passou a ser visto
MENOS como a espiritualidade e transformação que podia representar, e
mais como o "inquestionável". Já pensou se os hindus quisessem impor
as metáforas evolutivas do Gitá e do Ramayana como verdades histórias
e cietificas universais?
Já viram o mico que deu, né? E pra piorar, imagine qual versão Kardec
e sua "nova revelação" adotaram, também?

Daí a vir um médium ou um pastor JURANDO que, dentro de seu paradigma
(Deus falando para um, comunicação elevada de espírito idem para
outro) teve a "revelação divina" que CONFIRMOU tudo que está em seu
dogma, do tipo "taqui, eu vi e vc não, eu sou autoridade e vc não,
então aceita e pronto, para de pensar e questionar, eu tenho
clarividência ou ministério divino e você não tem, PONTO FINAL", não
custa muito. Não custa nada.

É bem intencionado, contudo. Não fazem por mal. Não acredito que
algumas coisas da séria espírita sobre Paulo de Tarso, supostamente
assinadas por um Emmanuel, tenham intenção ruim. Daí a ser fato
histórico, vai muita distância. E por acaso, aquilo é coerente com
distorções do canone que acreditavem, e incoerente com o Paulo /
Saulo que a história, os apócrifos, as ordens e mil provas estão
começando, enfim, a mapear.

(Como diz o ZRX, já está passando da hora de alguem escrever um livro
para colocar este ...censurado... no seu VERDADEIRO lugar histórico)

Pra ter uma idéia do que mais se aproxima, ainda que metaforicamente,
do que sabe-se hoje sobre Paulo de Tarso, assistam a segunda parte do
A Ùltima Tentaçao de Cristo. Não é só "um sonho" aquele Jesus
retratado, que não reconhecia o que Paulo dizia na Grécia,
supostamente "em seu nome", e supostamente após "um encontro e
revelação com Jesus" (segundo o proprio paulo, é claro - edir disse
coisas parecidas, aliás, por própositos mais nobres).

A questão é: Se o médium não entende disso, porque paga o mico de
adenrtar no animismo com a finalidade de estabelecer a verdade final
sobre o que existe na sua iamginação, por culpa de distorções que não
foi ele quem colocou?

Porque a gente não aprende com os orientais a pegar a parte
FILOSOFICA e EVOLUTIVA dos mitos, sem se preocupar se são verdade
histórica ou não? POrque o espiritualista não pode, aqui, se atentar
a SABEDORIA da essencia crística, independente de saber se ele comia
a Maria Madalena ou não?

Admiro muito o Wagner neste aspecto, porque ele isola bem as duas
coisas. É esta a postura adequada: não importa a história para fins
de mito, egrégora ou crescimento, uma vez que JESUS é muito mais do
que um personagem da história, e hoje, mesmo que fosse apenas
um "mito" (como alguns deuses hindus), ainda assim seria enraizado em
todos nós, com poder transformador, e com toda uma egrégora tão ou
mais viva, atuante, comunicante, inteligente - e até personificável
aos olhos de uns - do que um homem de 2000 anos atrás poderia ser.

Me perdoem o chavao de encerramento, mas ele é mutio verdadeiro: A
gente não precisa de verdade histórica para realizar a transformação
crística dentro de nós.

--
Marcelo Jansen Klajman
marcelojklajman@yahoo.com.br


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