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Como ser espiritual sendo cético?
Publicado em: 21 de fevereiro de 2011, 11:21:15  -  Lido 2750 vez(es)



> Leila Paiva perguntou no http://formspring.me/LazaroFreire
> Como ser espiritual sendo cético? Acredito num mundo de energia 
> invisível que interfere para o bem e para o mal, mas é só. Não 
> acredito em religiões, não me entendo bem com o culto aos símbolos 
> (como santos, patuás, lugares), sou desconfiado de m...


Defina "espiritual" e "cético". Eu creio que só dê para ser "espiritual" de fato sendo um pouco "cético", no sentido pirrônico original. Caso contrário, seremos no máximo dogmáticos, religiosos. 

Há vários caminhos para resolver esse seu impasse. O budismo é uma delas, uma espiritualidade no aqui agora, sem santos, deuses, astrais ou "além". Outra possibilidade, mais mental e filosófica, que vejo com bons olhos, é o DEÍSMO: http://pt.wikipedia.org/wiki/De%C3%ADsmo

Há um grande equívoco em relação ao "ceticismo" por parte do senso-comum. O ceticismo original jamais negaria a espiritualidade, apenas tampouco a afirmaria. Quem nega tudo e afirma a matéria não é "cético", mas sim materialista, um outro tipo de crente. Se acredito que algo não existe, já não sou mais cético. Um verdadeiro cético, que não seja radical, simplesmente suspenderá o juizo. Pode ser um bom passo para ir além do senso comum, abrindo espaço para uma futura transcendência, se esta existir ou for possível: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pirronismo
 
Um bom exemplo é o do catolicismo e algumas igrejas protestantes históricas, onde alguém só pode se tornar sacerdote após ser também filósofo acadêmico E teólogo, numa longa formação onde sua "fé" será questionada de todos os modos, e as dúvidas e desconfianças inevitavelmente surgirão. Acho louvável e iniciático. Se a pessoa sucumbir às suas dúvidas, vitimado pelo enraizamento de suas crenças, provavelmente não teve de fato um chamado e uma experiência íntima indissolúvel - e, portanto, pode ser um excelente católico que comunga todos os domingos, mas jamais um sacerdote, um condutor de almas.
 
Nada mais incerto do que um excesso de certezas. Seja em ciência, filosofia ou religião, não são as certezas que nos constroem, mas sim a sistematização coerente de nossas dúvidas e problematizações. Quando enfim chegamos ao nada Verdadeiro, repleto de tudo e isento de julgamentos prévios, não há outra possibilidade diante do silêncio infinito e eterno a não ser a percepção preenchedora do Todo de Deus.

Láz

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Lázaro Freire
lazarofreire@voadores.com.br


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