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Sobre meus sonhos, meditações e experiências fora do corpo
Publicado em: 30 de março de 2009, 00:39:27  -  Lido 3417 vez(es)



Gostaria de falar sobre minhas experiências fora do corpo, as em geral e as desta noite.

Há um bom tempo minhas vivências noturnas são mistas. Às vezes, as projeções emergem de sonhos lúcidos. E em outras, os sonhos também envolvem reflexões de auto-análise, ecos de minha atividade de terapeuta: é como se uma voz ou amparador analisasse meus sonhos junto comigo, uma espécie de "self" interiorizado, com uma lucidez e síntese que eu jamais conseguiria na vigília. E há também noites que são, em parte, m pouco do meu laboratório filosófico sobre a existência, que às vezes me levam à percepção do tudo ou do nada, como naquele relato de fevereiro (http://migre.me/gqV). Dizem que o filósofo é aquele que pensa na morte todos os dias, e não raro as reflexões desconcertantes da sala de aula (sobre o nada, sobre tudo e sobre Deus) me conduzem a um "vazio" à noite onde percebo os ecos do universo além de mim...

Por isso, há tempos EU não sou costumo mais relatar minhas experiências internas. Não que vocês não possam e DEVAM relatar suas projeções, excelente ferramenta em que muitos daqui sequer começaram a engatinhar. Mas é que a projeção astral para mim tornou-se uma das várias linguagens em que minha psique navega, dentre outras experiências não-lineares impossíveis de verbalizar.

Sinto que, assim como foi em outros tempos, meu inconsciente reflete, aos poucos, aquilo que faço e estudo na vigília. E isso, em parte, mudou. Atendendo em psicanálise e filosofando todos os dias, me parece natural que eu tenha um leque de ferramentas não melhor ou pior, mas diferente. Antes, minha atividade principal era buscar e levar consciência e descrição, aqui, das coisas espirituais de lá - e, como consequência, eu me projetava bem mais em saídas do corpo clássicas, já que a a projeção era a natural consequência complementar de minha vida daqui no lado do astral/inconsciente. Ou seja, a consciência e descrição do mundo espiritual.

Quando passei por uma fase mais meditativa, trabalhando granthis e kundalini e ensaiando os arremedos de "fusão ao todo" (samadhis) que eram acessíveis a meu (limitado) estado consciencial, passei a ter uma outra atitude em relação à projeção astral lúcida, que até então eu tinha em média 3 vezes por semana (aumentando ou diminuindo em alguns períodos). É que, observei, nas minhas projeções astrais eu "ia" aqui, "ia" acolá, "fazia" isso, "combatia" aquilo, voava, experimentava vôos, pesquisava, explorava. Às vezes, tentava achar alguma referência desconhecida do físico (detalhes do interior de alguma loja de meu bairro que eu não conhecesse, nome de rua, etc) para confirmar depois ao acordar. Tudo muito interessante, e acho que vocês DEVEM tentar isso, amplia muito as possibilidades.

Mas o fato é que, retirando as projeções mais assistencialistas ou em planos elevados, interessantes por si só, a maioria dessas minhas projeções "automáticas" se dava aqui pelo duplo etérico da Terra ou proximidades, cenários e atividades relativamente comuns. Após anos e anos fazendo isso, notei que boa parte era a repetição de bastante atividades mentais e egóicas, só que do lado de lá: Eu isso, eu aquilo, vou pra lá, vou pra cá, dou pirueta, pesquiso, relato, turismo, etc.

Tudo isso É importante, insisto, e vocês DEVEM passar por isso; mas após muitos anos fazendo a mesma coisa, por mais interessante que fosse, achei muito melhor aproveitar a oportunidade de saída do corpo (um estado alterado de consciência) não tanto para EU ir para cá ou para lá, mas para deixar todo o universo vir até mim. Como uma meditação ou prática bioenergética, só que fora do corpo, em condições mais propícias.

E então, a partir daqueles idos tempos meus mais meditativos, passei a ter uma atitude mais passiva (opa) e menos mental ao sair do corpo; aproveitando a oportunidade de desligamento da mente e físico, para ter acesso privilegiado e "consciente" do mundo espiritual. Meu objetivo passou a ser tentar de algum modo melhorar a mim mesmo, ser mais receptivo, aceitar mais minha evidente ignorância do infinito, deixar de me considerar "o especialista", praticar mais fusões, abrir a mente ao invés de "usá-la", meditar fora do corpo, deixar as imagens virem até mim, enfim, me submeter, aceitar, PARTICIPAR do todo, em vez de eternamente tentar controlar e me controlar do lado de lá.

Isso tudo implicou em perder bastante da consciência e rememoração. Passei a desligar a mente e deixar as imagens chegar até mim, me fundindo nelas. Sei que sou acolhido de algum modo pela mãe divina, ou por aquilo de onde venho... Talvez no "plano mental", mas até esse termo seria inadequado. Mas como abri mão da mente e do ego para poder chegar neste estado alterado dessa para-projeção, não tenho como registrá-lo, e ao acordar em geral só me lembro que permiti entrar nele, ou no máximo das últimas imagens simbólicas que tive antes de atravessar o "portal" (eu analiso essas imagens), mas não mais do que aconteceu depois.

O fato é que, independente do rótulo das inclassificáveis experiências mistas que tenho hoje, acordo bem, com a mente mais aberta e desperta, com idéias e perguntas novas que não sei de onde vem, mais feliz, com o coração mais livre, com menos grilhôes de meu passado, com curiosidade ou sintonia a novos "paradigmas" (desculpem o termo, não tenho a intenção de menosprezar a visão de ninguém com minhas eventuais ampliações, até porque só posso transcender algo partindo de um referencial anterior, e respeito muito meus eus, passados e futuros). Acordo hoje com muito mais perguntas do que respostas, mas perguntas que de algum modo me levam (e levam a quem me acompanha ou lê) ao estado de incerteza quase "koanico" de onde se pode experimentar a natureza de deus, ao invés de (apenas) ficarmos teorizando sobre sua existência, ou ensaiando este salto através da (boa) prática moral e astral dos melhores mitos e religiões que conseguirmos para explicá-lo...

Creio que essa explicação seja mais importante do que minha experiência da noite, que de certo modo falava da educação dos pais, os isentando da "culpa" que jogamos neles (tema da minha resposta ao Wellington ontem, talvez daí o meu sonho e resposta), e que a partir de um sonho dentro de um sonho (com implicações auto-analíticas) evoluiu para um sonho lúcido com minha companheira Camilla, e daí para nossos primeiros vôos quando percebemos que estavamos sonhando (ora, se é sonho, podemos voar). A partir daí fomos adentrando um estado clássico de projeção, inicialmente não tão lúcido, mas que depois nos levou a uma região assistencialista do astral, onde pude perceber o quanto a nossa condição do lado de lá, ao nos projetarmos semi-conscientes ou desencarnarmos mantendo psiquismos antigos, nos ASSEMELHA aos que rotulamos de LOUCOS do lado de cá.

Mas isso já é tema para outro relato, a seguir.

Lázaro Freire
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