15 de dezembro de 2018
                 
     
                         
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* ENTREVISTA: Projetar todas as noites X Crescer todos os dias
Publicado em: 12 de março de 2008, 17:21:10  -  Lido 3611 vez(es)



> 1-Lázaro, você se projeta todas as noites? (ou todas as noites que vc quer se projetar, vc consegue?)

Não!!! E pelo que sei, nem um Wagner Borges consegue isso! Eu até tenho um bom controle projetivo - e, pelo que os outros relatam, costumo ter uma frequência um pouco maior que a média. Mas está longe, muito longe, de ser controle absoluto.


Quando estou lúcido, eu tenho lucidez. Dentro do contexto onde fui projetado. Mas não tenho como garantir que hoje terei a tal lucidez - como gostaria, por exemplo, quem faz provas, ou nos exige "experimentos" para que NÓS removamos as dúvidas DELES (as quais, por acaso, nós, que nos projetamos e não queremos provar nossa experiência íntima para ninguém, não temos)

Quando eu ligava muito para projeção, e estava enfocando o assunto de TODAS as formas (salinhas, práticas diárias, leituras, assistencias, cursos no astral, treinamento de amparo, etc), eu conseguia ter umas 3 experiencias semanais de acesso astral ou consciencial elevado, geralmente via prática, e mais uma ou duas projeçoes "de fato" durante a semana. Em média. Dái a dizer ONDE e QUANDO, vai distância.


Mesmo nesta época de maior atividade e memória, na grande maioria das vezes o controle era externo, ou induzido. Mesmo nas poucas vezes em que eu estava com tempo e controle, livre, sem ter um lugar pré-determinado para onde ir, era sempre a partir de MEU quarto, em siutação inesperada - e, mesmo assim, eu sofria limitações do cordão de prata, ou via algumas imagens oníricas menores que poderiam adulterar experimentos, ou tinha o tempo limitado, ou estava interagindo com algum amparador, ou, pior ainda, me desviando de algum assediador. Isso já jogaria meu controle para as cucuias.

 

Liberdade total para experimentos, me olhar no espelho, tentar acender luzes, explorar, entrar em loja desconhecida fechada para tentar voltar de dia e ver se era igual, foram tão poucas que eu poderia me lembrar individualmente da cada uma. Sabendo estar junto ao físico? Sem ninguém por perto? Com controle? Sem tração? Em lucidez? Sem precisar intuitivamente volitar? Umas dez, vinte? Não sei. Mesmo assim, não posso dizer em que nível vibracional eu estava, nem quando, ao longo de minha vida de 38 anos, uma dessas 20 ocorreria, de modo a pesquisadores incrédulos monitorarem meu quarto (sim, este tipo acontece em minha cass, sem interferencia) para fazerem algum desafio.


Mesmo porque, bastou UMA dessas (ou das centenas de outras) para que dizimasse a MINHA dúvida. A dúvida que restou é a DELES. Eu não dependo mais da fé, e portanto, junto com ela me livrei também da descrença e dúvida que sempre a acompanha.

Em outros períodos, trabalhei muito sonhos lúcidos e rememoração. Não me preocupava com o que era onírico ou não, apenas tentava entender os recados da psique, do astral, do inconsciente, da mente, dos amparadores, sem julgar ou rotular de onde vinham.


Nesta época, eu poderia com certeza fazer uns quatro livros de alta qualidade por ano, apenas com relatos riquíssimos, se eu romanceasse projetivamente os enredos, dicas e informações que "não importam quem ou o que" estavam me passando. Cheguei mesmo a pensar nesta possibilidade. Daria para viver escrevendo, se não tivesse que vir trabalhar todos os dias.

Porém, depois de alguns acessos de plano mental, "mini" samadhis e ativações relacionadas com kundalini, a verdade é que perdi muito do interesse em proejtar, projetar, projetar. Conversei com outros projetores ligados a yoga e pude notar que isso é comum.


Eu ensino e comento, por ser uma ótima ferramenta. Mas sair do corpo hoje a noite não é mais minha prioridade de vida, pois no fundo nisso havia muito de curiosidade com o astral, muito de necessidade de provas, e muito de ego.
Hoje é mais prioritário, para mim, crescer. Quando preciso, sei que terei a ferramenta projetiva à mão.


Perto de um acesso mais nirvanico, com todo respeito, sem querer parecer superior (tanto que nem falo isso), a projeção me parece uma experiencia muito temporal e física. Ou seja, ela é muito a manifestação, e como tal, complica um pouco o dissolver-se no todo.

Antes, se eu via imagens na tela mental, eu, no estilo projetado, colocava mente (manas) e manifestação (maya) ali. Queria saber o que tinha depois. Queria ATUAR. Interagir. Mudar. Testar. É ótimo, mas é tudo manifestação.


HOje, sem notar, minha mente calou, e minha postura mudou: AO ver as imagens belas, parto para a não ação, numa para-meditação, e deixo simplesmente a beleza das formas, imagens e informações penetrarem meu ser, até que sejamos um só. Lucidez e consciência, neste caso, passa a ser completo acessório. Não me importa mais se vou lembrar - já lembro de muito mais coisas do que poderei transcrever, ensinar ou praticar em vidas.


Mas me agrada o SENTIR. O Bem estar e a sensação de fusão, atemporal, em blocos, que fica depois. Eu abro mão do tempo em nome do todo, e abro mão da informação em nome da certeza íntima.


Não sei se consigo explicar. Mas se não conseguir, não serei o único - a fusão nunca teve explicação.



> 2- Lázaro, você atualmente passa por algum recesso projetivo, ou noites em que vc sonha normalmente e acorda no dia seguinte se perguntando porque não teve lucidez nos sonhos e os aproveitou para se projetar?

No ano passado, tive alternancias de recessos, fusoes e projecoes.
Estive em intensa atividade projetiva, após longo periodo de recesso
anterior.
Depois, fiquei muito mais em visão de "fusão", percebendo Brahman em
tudo e todos, buscando cada refugio meditativo, buscando compreender
que Maya também é divina.
NEstas fases, não consigo nem ao menos me preocupar com uma
tal "lucidez" no plano "dos desejos".
Meus desejos estão sob controle, logo, isso deixa de ser preocupação
maior.
Quando preciso estar projetado, estou.
QUando não me lembro pela manhã, não ligo mais, há tempos. Já tive
todas as provas que precisava. Não desafio mais, inconscientemente, o
astral e a espiritualidade.
Já tenho plena convicção que, mesmo não lembrando, as respostas estão
em mim.
Eu não sei, mas quando alguem me pergunta algo aqui na lista, a
resposta vem, como se sempre estivesse em mim. E está!!! Não me
pergunte a fonte, mas não é (sempre) mediunica, e a coisa
simplesmetne sai - algumas coisas que a ciencia nem sabe ainda.
Outras, que são segredos de ordens que nunca nem soube existir. Assim
como cada experiencia da infancia, da qual não lembro, ajudou a
compor o que eu sou!
Eu já sei que baixa rememoração não significa falta de projeção.
E já sei que se eu REALMENTE quiser ou precisar me lembrar, basta
colocar um caderno no lado, e começar a anotar, de noite, as
condicoes da hora de dormir, e, de manha, tudo que eu lembrar. Botar
o despertador para tocar mais cedo. Acordar de noite para escrever.
Em poucos dias de prática, terei material onirico, projetivo e
consciencial para trabalhar internamente por
mais de um ano.
Fiz um "intensivo" do tipo em uma vivencia iniciática, hã um tempo
atrás. Até hoje não trabalhei tudo que anotei, nem incorporei tudo que
aprendi e acessei.
Só os insighths de que corpo astral se fundem com o dos desejos, e as
possibilidades de manipulação de realidade via astral consciente que
aprendi na época - e os perigos e milagres que isso pode gerar - já
daria trabalho para muito tempo.
Logo, com o tempo vou calando a mente, e simplesmente parando de
anotar, e me preocupando mais com a SINTONIA do que com a TÉCNICA em
si.

No fundo, um dos melhores termos é mesmo EFC. Isso que temos é, na
verdade, uma "experiencia" fora do corpo.

 

> 3-Lázaro, quando vc se projeta à noite, quanto tempo em média vc consegue ficar projetado?

Não me parece que o tempo seja o mesmo. Portanto, acho muito
impreciso qualquer relato de tempo. A comunicação tambem pode vir em
bloco.
Várias vezes recebi uma unica frase, mas o sentido dela nao podia ser
descrito em textos imensos, pois as palavras não eram só palavras.
Acho que isso muda toda nossa referencia de tempo.
Em condições de hiper lucidez, parece que cada segundo dura umas dez
vezes mais, pois temos consciencia total de cada sentido, de cada
detalhe, de cada pensamento. As informaçoes aumentam muito, e parece
que isso afeta nossa percepção de "clock".

Em todo caso, devido ao numero de projeções que dá para ter numa
noite, sabendo que no tempo de 1 minuto terreno dá para termos
sensação de uns 10 min de informação (e que portanto, muita projeção
que parece durar 1 hora pode ter sido de 10 minutos), creio que as
projeções, em tempo da Terra, dificilmente passem de 1 hora.
Há casos em que acho que recebi uma comida de rabo de horas, do
amparador, com minha vida toda passando na minha frente - e ao me
lembrar, vejo que ele disse só uma frase, sem julgamento, mas a
informação veio em porrada.

Várias vezes tenho uma saida que com certeza se dá de madrugada. E
após uma longa projeção, acordo, de volta ao corpo, ainda em alta
madrugada. Ou seja, pareceu que foi a noite toda, mas o bom senso nos
faz ver que não pode ter durado tanto.

Este tempo de 1 hora é coerente, também, com os períodos de oscilação
de ondas cerebrais. Se você observar o EEG de quem dorme, notará que
após algum tempo de sonho-sem-sonos, a pessoa acaba caindo em MRO /
REM (Movimento rápido de olhos) que caracterizam sono COM sonhos, ou
seja, ondas cerebrais altas, imagens oniricas, e, é claro, fim da
projeção.

Estes periodos de alternam algumas vezes durante a noite, mas parece
que, em média, as pessoas passem de meia hora a uma hora em cada
período de sono-sem-sonhos. A mudança deste estado fatalmente
tracionaria o corpo de volta, violentamente,por melhor que estivesse
a projeção.


> 4-Lázaro, você olha para as mãos durante o dia se perguntando da realidade pra funcionar durante o sonho à noite e se projetar, ou não precisa mais disso? Utiliza alguma outra técnica semelhante durante seu dia-dia ou nenhuma?

Não. Nunca usei esta técnica.
Não acho que seja questão de precisar ou não, simplesmente nunca me
deu vontade de fazer esta técnica.
A melhor técnica é a que dê resultados para você. Até por isso, é
importante estudar um pouco de todos os assuntos, sem pré-conceitos,
em mente aberta, universalista.

Também nao uso aquela técnica de perguntar se estou dormindo ou
acordado. Como disse, nunca tive esta expectativa de projeção (se
tive, foi há tempos) - e acho que isso ajudou muito a TER a projeção.

O fato é que a técnica ou ensino que é ótimo para um Mestre e seus
discípulos pode ser terrível para você.
Conhecendo um pouco mais, você pode escolher o que mais se adequa às
suas características.
Conhecendo mais além ainda, você poderá compreender o mecanismo por
detrás das receitas, credos e lendas - e no fim, tudo remonta aos
mesmos chakras, bio-energias, mitos, arquétipos e toques
conscienciais, na eterna busca do homem em crescer.
Isto se aplica a tudo, e a projeção não é excessão. O universalismo
na abordagem é aliado do êxito.

Em outros tempos, minha "técnica" era tomar um banho, me perfumar com
parcimônia, colocar um bom incenso, acender um ponto de luz azul, e
colocar um CD de músicas indianas, rock progressivo leve ou new age
de qualidade para tocar... Sentar na cama em posição de semi lótus,
fazendo OM no frontal (mais para não dispersar a atenção do que por
qualquer motivo místico), e simplesmente usava a técnica de...
Respirar!

Nada mais. Respirava, tomando consciência do divino que há no ar.
Lembrando que cada partícula de prana estava sendo levada para todas
as minhas células. Pensando no sol, no prana, nos alvéolos. COntando
até 4 para inalar. Prendendo o ar contando até 4. Soltando contado
até 4. Mantendo o pulmão vazio pelo mesmo tempo.
Imaginando cada célula respirando junto. Sentindo o coração acalmar.
Sentindo todo o corpo se alinhar. Até que a respiração fosse, em si,
meditação.
E se eu respiro sem parar, e se até o respirar é meditação, tudo mais
também o será.

Fazia isso, com música, luz e incenso apropriado, até sentir um pouco
de sono... Então, SUAVEMENTE, me deitava... Devagar... E mantinha a
respiração, ou o mantra, ou outro mantra, até adormecer neste estado.

É tão simples, natural e óbvio que...
Funciona!

Entretanto, se por um lado não uso mutias técnicas, às vezes, quando
estou meio zen como agora, começo a fazer algo similar, que é ver
Deus em tudo, e imaginar que nos átomos desta mesa aqui em frente há
Brahman, e que entre eu e ela só ha um imenso vazio... Imagino a
realidade material se desmanchando diante de meus olhos, e Deus
presente em tudo. Olho para as pessoas na rua, e me comadeço delas -
e de mim mesmo - ao notarmos que estamos quase todos dormindo. E que
se hoje eu vejo isto e ontem eu não via, eu era um zumbi igual a elas.
Sei que meu pensamento passa por atomos do cérebro que no fundo são
apenas grandes vazios, órbitas gigantescas em torno de um nucleo. E
que o ar que me separa do exterior é o mesmo vazio vibrante
manifestado. Dou risada da ilusão das coisas materiais, e ao mesmo
tempo me vejo nelas.

Compreendo Ramakrishna dizendo que a unica utilidade de ser Deus e
criar é poder viver como criatura. Deixo de entender o açucar, deixo
de fabricar o açucar, deixo de querer me fundir com o açucar, e
simplesmente me permito sentir o sabor doce do açucar.
Vejo Deus em tudo, e no firmamento - e por estar em tudo, acabo
achando mais perto buscá-lo dentro de meu próprio coração.

Não sei porque, quando estou assim, saio do corpo, naturalmente.
mas tanto faz, pois também não dou bola para o astral qeu se
apresenta diante de meus olhos - sei que se ele se apresenta, se
posso navegar nele, ele ainda não é O SER.
Então, abro mão da consciencia, da lembrança, da técnica, e
simplesmetne passo a olhar o tal astral com olhos de criança que anda
de avião:
Sem julgar, sem pensar, apenas vejo, sorrio, acho bonito, feliz, e
observo com olhinhos brilhando o filme que Brahman, Gadu, Tao, Deus
projeta diante de mim...
Completamente absorto... Até que, sem perceber, eu e o filme nos
tornamos um.

Quando acordo, não lembro de nada.
Mas sempre estranho onde estou.
Invariavelmente, me pergunto quem eu sou AGORA.
E sempre me vem uma voz: Lembra? Vc era o Lázaro... Seculo XXI...
Poxa, é mesmo, aquela vida da Voadores, do Wagner, do IPPB. Poxa, era
legal.
Nesta época, eu tava tocando na Naviterra. A turma aprendia comigo, eu
trabalhava na Merchant, meu coração sofria pro alguns amores que
ainda não eram O amor...
Puxa vida, eu gostava deste filme. Vamos vive-lo. Legal qeu parei
aqui.

Mas nunca tive duvida alguma de que o Deus que acorda não é
exatamente a mesma sequencia de ego-tempo-espaço que foi deitar.

E nesta hora sei que eu poderia ser qualquer um, que sou criador e
criatura de tudo e todos, e que, com a única certeza que tenho,


--
Lázaro Freire
lazarofreire@voadores.com.br


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