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Furando a Bolha - Somos Todos Um Só
Publicado em: 04 de setembro de 2006, 17:09:51  -  Lido 2803 vez(es)



> Toda vez que leio a frase Somos todos um só eu imagino a Grande Bolha Cósmica flutuando pelo universo.

Pois é, realmente não há como não implicar com essa frase...Eu que o diga...

Contudo, é interessante observar como cada frase (e não apenas essa) toca a cada um de nós de forma diferente, dependendo da bagagem carregada ou da trilha percorrida.

Para muita gente, a pedra subliminar no sapato desta frase é exatamente isto que vc fala - o medo de virar um "Todos-um-só" - aquela grande ameba que engole todo mundo após a morte física, destruindo impiedosamente a individualidade e a consciência tão arduamente conquistada.

É triste, pois na barriga do Todos-um-só a gente não consegue nem pensar direito: cada tentativa de raciocínio é imediatamente atacada por um milhão de complementos, tendências, apoios, críticas e avaliações, num turbilhão que fica correndo atrás do próprio rabo, até percebermos vagamente que não podemos mais concluir nenhum pensamento, visto sermos apenas uma pobre célula semi-pensante, escravizada dentro de um organismo maior, este sim, barrigudo senhor absoluto dos pensamentos ali gerados e das memórias ali guardadas...

Diluir esse nosso belo espírito pensante e sofisticado num marzão de plasma pulsante e comatoso... Puxa, taí um convite do qual a gente tem mais é que fugir, mesmo...

Agora, se vc inverte a coisa e começa seu raciocínio pensando no Nada como se o Nada fosse o Nada mesmo, e no Todo como se o Todo fosse um pequeno ponto de luz (é, apenas um todinho... não precisa nem ser um todão muito grande...) que um dia se opôs ao Nada, a coisa fica mais doce de engolir.

Olha só: se observarmos o Universo, veremos que ele todinho é formado de pares, de dualidades: Sim e Não, Claro e Escuro, Dia e Noite, Morte e Vida...

Então é fácil pressupor que tudo haja começado a partir de uma dualidade, não é? Uma primeira cisão, uma dualidade primordial, do tipo Tudo-Nada...

Veja: num determinado momento de um tempo que não era o tempo, pois só havia o Nada, surge um ponto de luz no meio do Nada, contendo tudo em si mesmo. Tudo que existe, tudo que existiu e tudo que existirá. Inclusive todas as vidas - as nossas, as dos outros, aquelas que nos influenciarão, aquelas que não, as que ocupam o brilhante topo da escala evolutiva e também as que rastejam e claudicam em sua apagada insignificância.

Desde o início tudo isto existe potencialmente no pequeno ponto de luz. E cada parte deste todo deverá representar seu papel ou improvisar na hora, em palcos e horários casuais ou determinados, sem esquecer que por trás de tudo não existe ator, papel, palco nem momento - só existe o tal ponto de luz.

Na realidade, tudo isso é um jogo, uma encenação. Uma encenação que o ponto de luz faz para ele mesmo, pois na verdade ele é que vai ser cada ator, cada palco e cada platéia desse grande teatro. É ele quem vai estar animando cada personagem, colorindo cada cenário e definindo a duração de cada ato.

Para dar mais realidade a este teatro, o ponto de luz se multiplica nas 10.000 coisas que existem, e faz com que cada uma delas se adapte a seu papel.

Então, para que todos possam atuar da forma requerida pelo script, cada partícula passa a crer na ilusão de que ela mesma é o centro individual do universo, e que aquele conjunto de sensações, pensamentos, emoções que fervilham dentro dela - aquele ego - é na realidade o todo.

Veja bem, ela não está totalmente enganada, pois ela É o todo. Apenas não é da forma como acredita que é.

O problema é que ao entrar em cena, ela recebeu um pacote de maya contendo trajes, lembranças, características...e também um belo apagão de memória, para que pudesse se concentrar melhor em seu papel.

Um dia, contudo, esta partícula voltará ao todo. Quem sabe, numa outra partida, ela mesma ou uma outra partícula receberá um papel igual ou diferente, aqui ou ali, tanto faz... Não importa, pois é tudo um Grande Jogo, jogado apenas por um único jogador.

Segundo dizem, um dia o ponto de luz vai recolher todo esse material, vai aplaudir a si mesmo pela brilhante atuação e vai finalmente fechar as cortinas que havia aberto no meio do Nada. Para uma reprise? Quem sabe...

Viu só? Para alguns, no momento estamos todos envolvidos na representação de uma grande peça. Somos atores tão bons, que chegamos até a incorporar de verdade nossos personagens.
Não temos como pensar diferente, presos dentro do ego.

Mas no dia em que tirarmos nossa fantasia - eu, você, e cada um desses atores todos - vamos perceber que somos muito mais - infinitamente muito mais - do que pensávamos, quando estávamos lá no teatro.

Bene


--
Benedicto Cohen (Bene)
beneluxbr@yahoo.com.br


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