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Maya
Publicado em: 04 de setembro de 2006, 15:52:44  -  Lido 2934 vez(es)



Um dos principais conceitos da filosofia indiana e budista é o conceito de maya.

Hoje a palavra é indistintamente usada e abusada para designar qualquer forma de
ilusão que encubra a 'verdade verdadeira', seja lá o que isto for.

Mas vc merece saber de que forma os antigos usavam esta tão importante
palavra...

Para entender melhor, comecemos por um dos temas mitológicos básicos do
Hinduísmo: o conceito de atma-yajna.

O mito fala do auto-sacrifício de Deus (Brahman), o UM, que se multiplica para
criar o mundo, e por meio do qual os homens (os Muitos), seguindo o modelo
divino, voltarão a reintegrar-se a este mesmo UM.

O ato da criação do mundo é o mesmo de sua des-criação, e por isto os hinduístas
dizem que o mundo é Deus brincando de esconde-esconde consigo mesmo. Este jogo é
chamado de 'lila'.

Ao criar o mundo, este Deus, por um ato de abandono, converte-se em TODOS os
seres, sem por isto deixar de ser Deus. Na verdade, ele é o único Ator a
representar TODOS os inúmeros papéis. No final de tudo, ele condensa todos seus
múltiplos, voltando a ser um só, para recomeçar o jogo (lila) uma vez mais.

Ou seja: O UM morre para se converter em Muitos, e os Muitos morrem, para se
converter em UM.

Beleza?

Ok.

Pois bem, se "Tudo é Brahman", e os "Muitos" na verdade são "Um", qualquer
dualidade será um falso produto da imaginação.

Pois de acordo com o conceito do "Tudo é Um", Brahman não é o 'Um em OPOSIÇÃO
aos Muitos'. Brahman na verdade NÃO TEM oposto, e está fora de qualquer sistema
de medição ou classificação...

Assim, quando começamos a classificar as coisas em opostos, começamos a cair em
maya.

Toda classificação é maya.

A palavra 'maya' deriva da raiz 'matr', de onde vieram as palavras 'medir',
'metro', 'material' e... 'matriz'.

E o homem, para classificar, usa a divisão. Divide em partes, divide em medidas
de tamanho, volume, etc.
Em sânscrito, as palavras equivalentes a 'divisão' e 'dualidade' têm a mesma
raiz: 'dva'

Assim, dizer que o mundo, do jeito que o percebemos, é Maya, é o mesmo que dizer
que o MODO que estamos usando para perceber o mundo está muito mais voltado para
sistemas de classificação, medição e outras divisões, do que para a pura
observação das realidades da natureza.

O ato de definir, colocar limites, delinear, pesar, medir, será sempre um ato de
divisão, e portanto de 'dualidade'.

Quando na verdade o Todo é UM só.

Enfim, aprender a ver através do véu de Maya é esforçar-se para entender esta
Realidade Última, é entender que tudo faz parte de uma Única e Mesma coisa, que
é Deus, que é o mundo, que somos nós.


Bene

Baseado no que aprendeu com o velho Allan Watts
--
Benedicto Cohen (Bene)
beneluxbr@yahoo.com.br


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