19 de setembro de 2019
                 
     
                         
Lázaro Freire, Acid0 e Lobão na MTV: Daime é droga ou religião?
Psicanálise Transdisciplinar em SP com Lázaro Freire
Seja um colaborador ativo da Voadores!
Cursos e palestras da Voadores em sua cidade
Mensagem de Wagner Borges
Mais novidades

 
  

Colunas

>> Colunistas > Benedicto Cohen (Bene)

Os Sonhos e o Inconsciente
Publicado em: 04 de setembro de 2006, 15:32:50  -  Lido 3875 vez(es)



Andei falando sobre a influência do Inconsciente nos sonhos e sobre
interpretação junguiana de sonhos, então resolvi colocar mais algumas
informações sobre isto, para esclarecer um pouco o assunto. Não sou psicólogo,
mas hoje em dia um xamã precisa conhecer também um pouquinho de Freud e Jung,
além de brujeria y otras santerias, não é mesmo?

O material é baseado em Marie Louise Von Franz



* * *

Muita gente ainda acha que os sonhos expressam nossos desejos e as tramas que
armamos inconscientemente. Mas não é assim. Uma grande parte de nossos sonhos
diz coisas que não queremos ouvir.

Os sonhos parecem se originar da própria Natureza, tal como os animais ou as
árvores. Não podemos criar nossos sonhos, assim como não podemos ?criar? um
animal. Assim, é melhor imaginá-los como se fossem criados por Deus ou pela
Natureza, sem prendê-los a alguma coisa específica.

Mas se acompanharmos nossos sonhos, perceberemos certas qualidades nos mesmos.
Os sonhos possuem uma inteligência superior, sabedoria e perspicácia, que podem
nos servir de orientação. Os sonhos podem nos revelar idéias artísticas ou
criadoras, diretamente brotadas do inconsciente (que é a parte de nossa mente à
qual não temos acesso direto, mas apenas através de sonhos, meditações, etc).
Assim, parece existir dentro de nós uma matriz psiquíca capaz de produzir novos
insights criativos. Esta matriz parece orientar o ego (nossa parte consciente, o
nosso eu comum) para que este tome atitudes condizentes com a situação que
estamos vivendo no momento. Graças a estas ?mensagens? recebidas podemos aceitar
idéias difícieis, como as de velhice e morte, por exemplo. Esta matriz que
engendra os sonhos tem sido chamada de guia espiritual interior, centro da
psique, ou simplesmente Deus. Buda dizia que quem segue o caminho interior tem
sonhos bons, cuja recíproca significa que seguir as orientações vindas deste
centro divino melhora a vida do sujeito.

Alguns sonhos são muito claros e fáceis de interpretar. Por exemplo, se minha
empresa não vai bem e eu sonho estar afundando lentamente numa piscina de lama
ou de coisa pior, a coisa é bem clara. E se no meio dessa piscina aparecer
alguma coisa para eu me segurar, é melhor eu prestar bastante atenção naquilo
que me deram como tábua de salvação no sonho?

Ou seja, algumas vezes o inconsciente nos fala tão diretamente como um
professor ou um mestre fariam.

Outras vezes ele nos fala por meio de símbolos, alguns dos quais existentes a
milhares de anos entre os homens, e que às vezes aparecem em antigos mitos
perpetuados pela humanidade, ou até mesmo tirados diretamente da Alquimia. São
os arquétipos. Um sonho pode repetir a história de Medéia, por exemplo, sem que
a gente nem sequer saiba quem foi essa senhora.

Contudo, por mais bem informados que sejamos, nem sempre é fácil a pessoa
interpretar seus próprios sonhos. Os sonhos costumam tocar nosso ponto cego.
Nunca dizem aquilo que já sabemos, mas sim aquilo que não sabemos, e os
componentes apresentados em linguagem simbólica dificilmente significam
exatamente aquilo que estamos vendo. E muitas vezes nem vão significar aquilo
que achamos que significam, pois vamos tentar interpretar a coisa sob uma ótica
confortável para nós. Nos sonhos, por exemplo, matamos e morremos impunemente,
fazemos coisas que jamais faríamos despertos, simplesmente pelo fato de não
estarmos ?matando? aquela pessoa, mas sim estarmos matando uma característica
daquela pessoa que ?sabemos? possuir também (mas que conscientemente nos negamos
a reconhecer) e que detestamos em nós mesmos.

O envolvimento com sonhos é em geral salutar. Entretanto, o mundo onírico só é
benéfico se estabelecemos diálogo com ele, mas sem abandonar a vida real. No
momento em que a pessoa começa a ignorar a vida exterior - o próprio corpo,
alimentação, trabalho - o mundo dos sonhos se torna perigoso. Esse aspecto da
dominação pelo inconsciente é chamado, na linguagem junguiana, de ?mãe
devoradora?.

* * *

Bom, em cima disto, dá para a gente tecer algumas idéias também sobre a
projeção. Este último parágrafo, inclusive, me pareceu bem aplicável à mesma.
Jung acreditava em projeções e desdobramentos, mas não fazia uso das mesmas para
análise. Ou melhor, procurava enquadrar tudo como sonho. Seu material de análise
era o sonho, apenas. Provavelmente se um de nós contasse a ele uma de nossas
projeções, ele a analisaria como um sonho comum, ou tentaria tirar material
analisável dali.

E o mais interessante é que provavelmente encontraria analogias entre nossas
projeções e aquilo que acontece em nosso inconsciente. Alguém já disse que um
esquimó dificilmente encontraria um amparador hindu, mas sim um amparador de sua
raça, assim como um tibetano encontraria um avalovara ou coisa assim. Nós, aqui
no Brasil, além de orixás e santos cristãos, temos recebido desde os anos
setenta muita influência da cultura indiana e budista, o que explicaria muita
coisa que ocorre em nossas projeções. Mas ainda não é aí, só em amparadores, que
eu queria chegar. Se imaginarmos, como os junguianos fazem com os sonhos, que
nossas projeções procedem da tal matriz psíquica, ou seja, que são coisas novas
para nós, assopradas ?de fora? para ?dentro?, seria curioso imaginar se cada
indivíduo não atrai então o tipo de projeção que seria útil ou possível para
ele, em termos de condições atuais, perspectivas de evolução, etc. E se sendo
assim, se nossas projeções não teriam muitos componentes de nossos anseios,
nossos desejos e medos secretos, ou seja, muita coisa do nosso inconsciente,
misturadas com os serviços ou desserviços que estaríamos prestando por lá. Tipo,
será que já que estamos lá, não usamos a projeção para troca de informações
desse tipo com nós mesmos, além de qualquer ajuda que possamos estar prestando
por lá? O pessoal, ao rememorar suas viagens, costuma preservar aquilo que era
de interesse direto para o enredo da aventura, e simplesmente descartar o resto,
dizendo: ?Ah, aquilo foi onirismo misturado?.? Mas será que o tal onirismo que
pinta nas projeções não mereceria ser muito respeitado e analisado à parte, como
ferramenta de auto-conhecimento?

Bene

Que encontrou em sonhos um baratão fumando narguilé, sentado em posição de lótus
em cima de um livro de sutras, de onde saiam figurinhas carregando maletinhas
verdes, e está tentando analisar esse sonho? Será que Vc pode ajudar?
--
Benedicto Cohen (Bene)
beneluxbr@yahoo.com.br


Deixe seu comentário

Seu nome:
Seu e-mail:
Mensagem:

 
Atenção: Sua mensagem será enviada à lista Voadores, onde após passar pela análise dos moderadores poderá ser entregue a todos os assinantes da lista além de permanecer disponível para consulta on-line.































Voltar Topo Enviar por e-mail Imprimir